O café especial premiado mundialmente das mulheres do Paraná

O café no Paraná é uma das culturas mais valorizadas e apreciadas

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Publicado em maio 30, 2022, 9:59 pm
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Pelas mãos femininas que o Paraná tem se destacado na produção de cafés especiais. O grupo de mulheres existe desde 2013 e tem o foco na melhoria e valorização do café, com aproximadamente 250 mulheres que assumiram o protagonismo nessa história.

Elas possuem um papel muito importante na produção do café. Cada mulher envolvida coloca amor e carinho na produção. A ideia do projeto é trazer as mulheres para a capacitação e qualificação na produção do café.

O café mais que especial, o das mulheres do Paraná, possui todo o esforço e o suor feminino para ser uma das bebidas mais saborosas e de qualidade. É realizado todo um cuidado na hora da colheita, feito por elas mesmas, para entregar um produto de altíssimo padrão. 
 O grupo de mulheres que está se destacando com um café super especial, que já foi premiado mundialmente.

Um ponto de virada no grupo foi quando, em 2015, três produtoras do Norte Pioneiro conquistaram pódio no Concurso Café Qualidade do Paraná. O reconhecimento serviu de impulso para acreditar que o trabalho extra na lavoura valia a pena. Os cafés da região são comparados com cafés africanos, que hoje são os melhores do mundo. 

Conhecendo as mulheres do café do Paraná

O projeto “Mulheres do Café”, criada pelo IDR-PR em 2013, uma iniciativa que atualmente abrange mais de 250 mulheres, distribuídas por 12 grupos de 11 municípios do Norte Pioneiro: Curiúva, Figueira, Ibaiti, Japira, Jaboti, Pinhalão, Tomazina, Siqueira Campos, Salto do Itararé, Joaquim Távora e Carlópolis. A associação também é vinculada à Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA), instituição internacional de valorização ao trabalho feminino nessa cadeia.

As cafeicultoras que cultivam o produto em pequenas propriedades, com área média de três hectares. O IDR disponibiliza uma equipe multidisciplinar de 13 extensionistas para apoiar as mulheres.

São economistas domésticos, assistentes sociais, técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos. Essa multidisciplinaridade é muito importante porque o trabalho não se limita à parte técnica, mas envolve a questão comportamental, a liderança, a atitude e a autoestima. Portanto o IDR-PR atua em duas frentes: a técnica e a pessoal. Na técnica, a instituição realiza diagnósticos e promove formações sazonais. Já na parte pessoal, discute temas como liderança, empoderamento, força e a melhor maneira de trabalhar essas questões dentro da família.

Como uma evolução do projeto, em 2019 foi criada a Associação das Mulheres do Café do Norte Pioneiro do Paraná (Amucafé) para organizar a produção e apoiar as agricultoras na comercialização, estreitando o relacionamento com o mercado de cafés especiais. A associação também compra parte da produção das agricultoras e comercializa o café torrado com a marca própria “Mulheres do Café”.

O café já foi diversas vezes premiado, é vendido para quatro continentes e corresponde a 15% da produção total de café dos 11 municípios participantes.

A região do Norte Pioneiro tem uma área total de 840,14 hectares dedicados ao café, em uma média de 3,53 hectares por produtor. Em 2019, a produção total foi de 22.680 sacas beneficiadas de café, das quais 3.402 foram de café especial.

Adélia Negrini faz parte do grupo Mulheres do Café de Siqueira Campos e conversou com nossa reportagem.

Conte para nós como surgiu o convite para você participar do grupo Mulheres do Café?

Numa tarde de 2015, chegaram na minha casa o Otávio, engenheiro agrônomo e a Cintia de Jaboti, engenheira agrônomo e extensionista em economia doméstica, perguntaram se poderiam fazer uma reunião no barracão da igreja com as mulheres do bairro que trabalhasse com café e também me convidaram para ser a líder do grupo. Eu falei, eu só tenho muitos compromissos, mas eu vou, então convidei as mulheres para uma palestra sobre café. Algumas mulheres já tinham participados de palestras, mas ainda não tínhamos um grupo formado. Foi marcada a reunião com a participação em torno de quinze mulheres, elas gostaram muito das palestras sobre café, sobre autoestima, teve brincadeiras para levantar a autoestima das mulheres e a partir desta reunião já nos tornamos o Grupo Mulheres do Café de Siqueira Campos.

Como você define o Grupo Mulheres do Café, além de suporte técnico, vocês tem apoio para se tornarem mulheres líderes, empoderadas e fortalecidas?

Sim, com certeza como eu disse, nas palestras além da parte técnica, onde aprendemos muito, também discutimos temas como liderança, empoderamento, autoestima, o que estimula nós mulheres.


Vocês recebem assistência técnica durante as quatro estações do ano a fim de obter os melhores resultados possíveis?

Aprendemos como fazer a poda, como fazer o café especial, porém   até hoje não fizemos porque não temos os materiais próprios, os equipamentos para produzir o café especial, mas estamos trabalhando muito para isso, o nosso grupo não tem nada por enquanto, os técnicos que vem para ajudarmos neste processo, mas acredito que a partir deste ano, com esta gestão do prefeito Germano,  acho que a gente vai conseguir  mais apoio da prefeitura para o nosso trabalho.

Adélia, deixe uma mensagem para o Grupo Mulheres do Café

As mulheres do café são todas mulheres guerreiras, mulheres fortes, trabalhadoras que não medem esforços para participar do nosso grupo. Teremos em breve um encontro Mulheres do Café que será inesquecível para nós.

O grupo de mulheres do café do Município de Siqueira Campos será o anfitrião do VIII Encontro das Mulheres do Café que acontecerá no dia 04 de Maio de 2022. Durante o evento serão realizadas palestras motivacionais, sorteio de brindes aos convidados e apresentação dos grupos ‘Mulheres no Café’.

Adriana Diniz

Fonte: Jornalismo Colaborativo

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