Se a imprensa não mostra tudo a tecnologia não esconde nada

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Publicado em agosto 11, 2018, 5:12 pm
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Denúncias de cidadãos que se sentem lesados pela ineficiência de serviços públicos básicos como segurança, saúde e educação, tem se tornado fato corriqueiro nas redações entre jornalistas e editores de jornais. Isso fica mais evidente quando observamos a crise da segurança no país.

Sitiados em suas casas, as famílias de comunidades carentes (lê-se aqui, principalmente das favelas) são reféns, ora de milicianos, ora de traficantes e em muitos casos da própria atuação truculenta da força policial.

Por isso, iniciativas que auxiliam a população oprimida pela falta desses serviços que deveriam ser gratuítos, fazem toda a diferença, uma vez que nenhum grande veículo de comunicação irá tratar desses assuntos com a mesma frequência de outras notícias que geram mais audiência ou que simplesmente apresentam um tema com teor mais leve.

Sem ter por onde correr as pessoas buscam outras alternativas e recursos tecnólogicos de fácil alcance. O aplicativo OTT – Onde Tem Tiroteio, mapeia em tempo real as regiões de maior risco, e que estão em conflito no momento. Identificado por cores vermelha, amarela e verde, o App alerta turistas e moradores para evitarem situações adversas, tomando rotas mais seguras. Até agora já foram feitos mais de 15 mil downloads por moradores com uma média de 2.789 incidentes com armas de fogo, somente no anos passado (2017).

Outra ferramenta também merece destaque e tem sido bem utilizada no Rio de Janeiro e no Recife. O aplicativo Fogo Cruzado segue a mesma finalidade de sinalização do OTT, registrando o número de disparos e tiroteios e definindo,  inclusive, as rotas de risco.

Recursos disponíveis que evitam a alienação e estimulam a participação popular na política

Recentemente foram desenvolvidas algumas soluções com objetivo de amparar o cidadão e tornar a sua participação exponencial e não somente no momento da escolha do eleitor perante as urnas.

Detector de Corrupção é um aplicativo que traz buscas relacionadas quanto às pendências judiciais com base no histórico dos candidatos registrados nos órgãos STF, STJ, bem como os TJs estaduais e os TRFs.

Um outro mecanismo é o recurso adicional como extensão do navegador Chrome: A Cor da Corrupção não perdoa políticos que apresentam pendências judiciais, destacando-os em roxo. Uma iniciativa por parte do projeto “Vigie Aqui”, mesmo desenvolvedor do “Reclame Aqui” que coopera com informações de presidentes, ex-presidentes, deputados federais, governadores e senadores. Com mais de 16 mil downloads, a expectativa é que o número de usuários alcance a marca de 100 mil e que esse novo recurso digital, consiga atuar como vigilante de vereadores e prefeitos.

“O conhecimento liberta o homem de qualquer limitação, até mesmo de sua própria ignorância” parafraseado por Mario Sergio Cortella; conhecimento esse propiciado não somente pelo acesso à informação, mas também pela detecção de interesse em digerir as informações, buscando veracidade e confiabilidade das fontes consultadas.

Partindo do pressuposto que mais olhos vigiando a política representam mais pessoas conscientes propagando informações de interesse público, a corrupção deixará de ganhar espaço gradativamente.

Nesse sentido, a informação considerada “real news” é uma aliada ao cidadão que toma para si a responsabilidade da eleição como um compromisso sério. E buscar compreender o sistema político nos âmbitos dos deveres e direitos é fundamental para não ser evangelizado pela famosa “fake news” (falsas notícias).

No dia 30 de julho a Central Brasileira de Notícias iniciou uma campanha “Fato ou Fake”, oferecendo recurso de checagem de conteúdos suspeitos por jornalistas da CBN. A intenção é justamente auxiliar na veracidade das informações que são constantemente disseminadas nas redes sociais, locais que sabidamente já identificou-se o grau de influência ao representar risco à população na tomada de decisão, seja ela política ou social.

A metodologia será realizada por títulos de identificação informando se a notícia é “Fake”, ou seja, conteúdo que não se baseia em fatos ou dados concretos”; “Não é bem assim”, conteúdo parcialmente verdadeiro, exagerado ou incompleto” ou o “Fato” que é o conteúdo totalmente verídico e comprovado por meio de dados.

Será com base nesses princípios, que a rede de notícias Globo começa sua campanha que buscará promover a conscientização das pessoas ao reunir esforços por meio de uma equipe de profissionais especializados em investigação e auditoria de conteúdo digital.

Vale lembrar, que a imprensa tem um papel importante em toda a sociedade no que diz respeito à transmissão dos fatos com clareza, precisão e verdade. Mas, infelizmente não é o que comumente vemos nos noticiários, pois o que é tornado público, muitas vezes correspondem somente aos interesses políticos e comerciais. E que são definidos em paralelo à agendas noticiosas que deixam o indivíduo hipnotizado em uma silenciosa espiral. Como efeito, o resultado é uma sensação de minoria na população, reprimindo sua opinião de tal modo que a manipulação da massa reflete em manifestações públicas nas redes sociais, muitas vezes convertidas em discursos de ódio.

“Uma grande verdade, mesmo mal sugerida, comove-nos mais do que uma verdade medíocre completamente exprimida.”, a frase cunhada pelo filósofo Henry Thoreau expõe um dos principais problemas de uma sociedade que ainda está aprendendo a identificar o que é falso ou verdadeiro, ou ainda o que necessariamente precisa ser discutido.


Fonte: Jornalismo Colaborativo