A frágil ascensão de um pássaro na política

Publicado em julho 14, 2019, 6:13 pm
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Essa semana o Brasil parou para vivenciar um momento histórico: a votação da Reforma da Previdência, estabelecida desde Getúlio Vargas, que rege nossas atuais leis trabalhistas. O Brasil parou alguns instantes para observar a apuração. Mas não todo o país, a outra parte estava atenta ao jogo do Athlético Paranaense X VAR. Era contra o Flamengo, mas um passarinho me contou que quem assistiu percebeu que algo de estranho se passou por ali.

Não quero dizer que nós, canarinhos que somos, e que voamos na mesma altura, tenhamos apenas essas duas óticas que vos descrevo. Até porque acredito que política e futebol se resume a política mesmo. Mas esse não é o foco agora. É sobre canários que voam alto, como a Deputada Federal Tabata Amaral, do PDT de Ciro Gomes.

Próximo da meia-noite entrei no twitter para verificar quais eram os assuntos mais comentados, pois não sabia se era sobre o jogo ou sobre a apuração dos votos. De dez hashtags, quatro eram sobre a Deputada. E não eram positivos. Só havia carniça e urubus. Não, não eram os do Flamengo.

Acho que já dá para julgarem menos a Tabata para começarem a pensar um pouco mais nos deputados que todos nós colocamos lá. O voto dela pode ter pesado para o PDT, que entrou em consenso para votarem contra a Reforma. Mas foram oito votos desse partido que foram à favor. Mesmo assim, as presas voltaram toda a atenção para a ave mais nova do ninho. Uma andorinha só não faz verão, e pelo jeito o inverno vai vir rigoroso com toda essa turma do Pavão Misterioso.

Não vai ter coberta que esquente nós, canarinhos, com essa era glacial vindo. E dos pássaros, só sobreviverão os urubus transmutados que votaram à favor da Reforma da Previdência, pois se alimentarão de nosso dinheiro e da nossa força de trabalho até a morte. Mesmo que nos transformemos no canarinho pistola, de nada vai adiantar.

Uma cadeia alimentar perfeita, apenas sobre uma única ótica: a neoliberal. Esperemos o fim de todo trâmite antes de pensarmos sobre migração. Nem que seja a utópica.


Fonte: JC, Artigo de Opinião, Contos e Crônicas